Design

a sociedade e a sustentabilidade

Se deve haver problemas, que seja no meu tempo, que minhas crianças tenham paz.


Thomas Paine


passados 18 meses após o término do meu tcc (e consequentemente do meu curso de design gráfico) é fácil fazer a seguinte afirmação: as pessoas ainda não dão a mínima para a sustentabilidade.

vivemos em uma sociedade que nos molda perfeitos individualistas, preocupados apenas com os nossos próprios umbigos e nada mais. não somos capazes nem mesmo de garantir que nossos filhos encontrem no mínimo um mundo nas mesmas condições que encontramos, que tenham as mesmas oportunidades que tivemos. para a maioria das pessoas um estilo de vida imediatista dá conta do recado: curtir o presente o máximo possível, sem se importar com o futuro, mesmo que este futuro chegue em apenas 20 anos.

durante o desenvolvimento do meu tcc acreditei que se a sustentabilidade se tornasse um tema recorrente, fosse usada em ações de marketing, campanhas, eventualmente a consciência das pessoas e das empresas iria abraçar a ideia. mas não é bem assim. conforme o designer e pesquisador Ezio Manzini disse, a sustentabilidade só tem (ou terá) importância quando for economicamente interessante. trocando em miúdos: enquanto for mais barato poluir, as pessoas e empresas vão poluir.

na área do design, os designers industriais tem feito bons projetos e que chamam bastante a atenção. no design gráfico as coisas parecem estar um pouco mais lentas, falta inclusive a consciência dos designers, e ela é essencial para que eles próprios possam transmitir este conhecimento para os clientes, que sem saber o que sustentabilidade realmente significa vão ficar no lugar comum de pedir apenas papel reciclado nos materiais. o problema está quando o cliente faz este pedido e o designer aceita achando que aquele projeto é sustentável, e todos viveram felizes para sempre. lógico, nem sempre o designer tem o poder total de decisão no projeto, pois terá que fazer a ideia ser aceita por seus superiores no estúdio no qual trabalha, ela terá um custo maior, e infelizmente, se as pessoas não tiverem a educação necessária sobre o tema (ou acharem que tem), não vão perceber que o que se gasta a mais no curto prazo é um gigante investimento que ela faz no futuro, principalmente se a empresa usar a sua real sustentabilidade como instrumento de marketing. é preciso oferecer soluções mais completas para os clientes, pois fazer uma campanha que seja inteira sustentável não torna uma empresa sustentável se ela continua imprimindo milhares de páginas inúteis por dia, luzes acesas sem necessidade, ar condicionado desregulado ou usado em excesso, e com volume gigante de lixo gerado. a imagem de uma empresa sustentável deve refletir sua real estrutura de sustentabilidade, para que a mensagem tenha mais força e traga significados verdadeiros, e não mentiras. ah, e os consumidores odeiam mentiras.

nestes casos, acredito que pode-se usar o mesmo pensamento sobre tendências: ok, o designer pode apenas seguir tendências no estúdio/agência em que trabalha, desde que ele tenha consciência de que está fazendo um trabalho que é tendência e em alguns meses ou anos estará obsoleto. então, um designer poderia fazer projetos com papel couché, verniz uv, laminação e impresso com tinta a base de petróleo, desde que ele saiba que não está sendo sustentável. ou será que não está ok? o que você acha? como é a linha que separa:

1- o pensamento sustentável do designer e o pensamento em apenas terminar seu trabalho do jeito que foi solicitado sem causar “problemas” ou transtornos com mais questionamentos e sugestões;

2- a posição dos chefes, que normalmente focam em agradar o cliente para não perdê-lo -- “ele está errado, mas ele nos paga” -- afinal, o estúdio/agência também é uma empresa;

3- o cliente, que é quem vai pagar pelo trabalho?

o que defendi no meu tcc, que uniu música e sustentabilidade, é que a sustentabilidade deve ser intrínseca ao processo criativo nas universidades. todos os designers devem terminar a graduação prontos para executar projetos sustentáveis. se “Design Sustentável” fosse uma matéria, ela deveria estar logo no começo do curso, e não ser apenas algo sazonal, mas contínuo, que seja discutida durante todo o curso. as aulas de Projeto devem ter sempre projetos sustentáveis como objetivo, os professores precisam exigir ao máximo dos alunos como fazer mais com menos, e como melhorar o que já existe. o design deve ser sustentável na sua essência. qualquer projeto de design deveria ser sustentável. este seria um ótimo passo inicial para se formar pessoas com mais consciência sobre o tema, pois sustentabilidade não se aprende lendo apenas um livro, uma ou duas revistas ou um post em um blog. é preciso entender o que isso significa e ter a vontade de fazer sempre que for possível.

é de extrema importância que uma coisa fique bem clara: eu defendo o desenvolvimento sustentável porque vivemos em um mundo com recursos naturais finitos, que se utilizados em excesso, em um ritmo maior do que sua renovação, trarão consequências catastróficas, inclusive para as empresas e indústrias, que não vão ter mais fontes de suas matérias-primas. o sistema capitalista entraria em colapso junto com os ecossistemas, provavelmente trazendo consequências irreversíveis, e a vida no planeta seria muito diferente do que estamos acostumados. não defendo o tema por achar que estarmos transformando o mundo em uma máquina apocalíptica, com enomes tsunamis que vão varrer cidades inteiras do mapa, furacões avassaladores e um calor de 40º no Alasca. mas também não é por isso que eu não acho que isso possa acontecer em função da nossa interferência. mais uma vez, o “mundo capitalista” mudar sua postura porque sua matéria-prima vai acabar não significa que ele criou uma consciência ambiental, vamos retomar o pensamento de Ezio Manzini: será puramente por uma questão econômica. na minha opinião, se a sustentabilidade acontecer apenas por questões econômicas pode ser bom (pelo menos no curto prazo), desde que ela seja real e absoluta, sem a superficialidade com a qual o tema é tratado.

o ponto é: nós não podemos destruir o mundo, ele é a nossa casa, o nosso lar. vivemos com outras milhões de espécies de seres vivos, e somos os únicos que atacam o planeta. nosso dever é preservá-lo, entregá-lo aos nossos filhos em condições muito melhores do que como o encontramos. para encerrar, gostaria de deixar este vídeo do falecido astrônomo Carl Sagan, um gigante divulgador da ciência, que nos dá a dimensão do quão insignificante somos, de como a vida é escassa (até onde sabemos), e que de todo o universo, este pálido ponto azul é o único lugar que conhecemos que pode abrigar vida. obrigado pela extensa leitura, quem não teve paciência ou vontade de ler até o final certamente não era o meu público alvo com este texto.

Boteco Design! entrou no ar

entrou no ar oficialmente nesta segunda, dia 10 de novembro, o Boteco Design!
a proposta do blog e ser um local de novidades e discussões da área de design e outros assuntos relacionados.

sou um dos criadores do Boteco, e estarei sempre lá postando material interessante. faça uma visita ao Boteco! ;)

Cholla no TrimarchiDG – Mar del Plata / Argentina

Mar del Plata

Mar del Plata, Argentina, recebe nos dias 03, 04 e 05 de Outubro o TrimarchiDG, o maior evento de design da América Latina. e amanhã, quarta-feira dia 01 de Outubro, vou embarcar para Buenos Aires. isso mesmo, estarei lá conferindo o evento!

e aguardem. em breve super novidades quentíssimas! quanto ao Trimarchi, farei outro post para vocês saberem por onde poderão acompanhar a cobertura do evento.

=]

site e ações de presença online para Rebeca Nemer

Rebeca Nemer - site

em meu primeiro projeto “solo” na McCarthy, desenvolvi a arte do CD Tudo de Bom, que a cantora Rebeca Nemer lançou agora na Expo Cristã. o mesmo projeto contou com o site principal, hotsite promocional do CD, site do trabalho que ela realiza com surdos (em construção, no ar semana que vem), e uma forte campanha de presença online, carimbando Rebeca Nemer em mídias sociais como Twitter, Flickr, YouTube e Orkut.

no link a seguir você pode ver o post de lançamento do projeto no site da McCarthy

aqui você pode conferir o site de Rebeca Nemer e todos os canais oficiais criados

por enquanto, você pode ver a arte do CD Tudo de Bom neste link

lembrando que na comunidade do Orkut está rolando uma promoção, e os vencedores vão ganhar o CD Tudo de Bom autografado.

designer Thiago Carlotti lança seu blog

o designer paulista Thiago Carlotti lançou hoje oficialmente seu blog. em seu novo recinto online, Thiago vai nos prestigiar com seus profundos e intensos pensamentos, além de nos propiciar momentos de extrema diversão com suas tirinhas. gostaria de destacar a série TCCendo a Vida, na qual sou um personagem coadjuvante e faço o papel de mim mesmo =]

o blog acompanha o recém-lançado portfolio online de Thiago, que finalmente descobriu a internet (e parece estar adorando!).

hihi ;)

para quem não pegou os links ali atrás, novamente:

blog do Thiago Carlotti
portfolio do Thiago Carlotti

vale a pena visitar, conferir e assinar o feed!

nova marca do Colégio Batista Brasileiro

a McCarthy acaba de lançar a nova marca do Colégio Batista Brasileiro:

Colégio Batista Brasileiro - redesign da marca

clique aqui e leia mais sobre o redesign da marca no site da agência

Olimpíadas Beijing 2008 – pictogramas

com um pequeno atraso, os 35 pictogramas para as Olimpíadas de Beijing 2008:

Olimpíadas Beijing 2008 - pequeno
(clique na imagem para ampliar – abre em outra janela)

os pictogramas foram criados pelo Art Research Center for the Olympic Games (ARCOG) na Central Academy of Fine Arts (CAFA). segundo Hang Hai, diretor da ARCOG, “o desafio para os designers era de se criar pictogramas que representassem a China, mas que ao mesmo tempo fossem atraentes para os demais países”. Wang Min, reitor da faculdade de Design do CAFA, completa que “nós tinhamos que ter em mente que o objetivo não era tornar os Jogos Olímpicos de Beijing em uma celebração inteiramente da cultura chinesa. eles precisariam de uma sensibilidade global”.

o processo de criação envolveu a pesquisa e referências de jingwen, escritos encontrados há 2 mil anos atrás em placas de bronze:

Olimpíadas Beijing 2008 - Pictogramas - jingwen

achei essa referência nos jingwen milenares fantástica. é sempre bom quando o design se utiliza de elementos históricos para construir conceitos, principalmente quando o resultado é de qualidade, e é possível separar com clareza a referência do produto final, mas que se comparados podem facilmente pertencer ao mesmo conjunto em função da linguagem utilizada.

fonte: Beijing 2008 Official Website

convite para Dia da Moda 08

Convite Dia da Moda 08 - pequeno

(clique aqui para abrir a imagem maior)

convite desenvolvido para o Dia da Moda de 2008, das Casas André Luiz, como trabalho voluntário. o tema do evento este ano é Festa, e foi utilizado para a criação e aprofundamento do conceito utilizado nas peças.

Cosmos Meltdown no Muse Press

tive a honra de ter meu tcc sobre o Muse, Cosmos Meltdown, divulgado no blog Muse Press. estou postando com um pequeno atraso de quase 1 mês, mas achei muito legal esse espaço que deram pro meu trabalho lá! só tenho a agradecer! ;)

gostaria de recomendar que vocês visitem o site para ler o que disseram. e para os fãs de Muse, fica aí uma dica super legal de fonte de informações!

http://musepress.blogspot.com/2008/06/muse-vira-tema-de-tcc.html

tcc2 – finalizado e entregue!!!

finalmente!!! o tcc2 foi finalizado e entregue!!! agora só falta a banca, e termino a faculdade! tensão até 26 de junho!!

bem, como alguns já sabem, meu tcc é sobre Sustentabilidade e Indústria Fonográfica. ele foi posto em prática (fictícia!) usando a banda que eu mais admiro, Muse, por sua incrível sonoridade e qualidade. meu objetivo é acrescentar algumas coisas no trabalho entregue, adaptá-lo, e deixá-lo disponível para outras pessoas na internet, aqui mesmo no meu site. mas como isso toma tempo, ainda não tive como completar essa etapa.

mas aqui vão as fotos do projeto, que se chama Cosmos Meltdown. ele foi inspirado no tema Cosmos, que surgiu após análise do material já lançado pela banda e por vídeos de Carl Sagan. trata-se de um álbum comemorativo dos 10 anos de Muse, que teve que ser concebido seguindo princípios de sustentabilidade, para que o projeto tivesse um impacto muito reduzido no consumo de materiais, e que tivesse condições de ser corretamente descartado. o princípio da teoria do caos (ex: uma borboleta que bate asas no Japão pode causar um furacão na América) também influenciou muito o trabalh. os fãs vão facilmente se identificar com o conceito ao lembrarem da música Butterflies & Hurricanes.

o “saco” que contém o box é feito em algodão 100% crú, e a marca foi aplicada com técnica de stencil. o box em si é feito em papel kraft, que não contém tingimento e produtos químicos para deixá-lo branco. não foi utilizado verniz para que o papel possa ser facilmente reciclado. a mídia utilizada é um disco de Blu-Ray, que comporta todos os álbuns já lançados pela banda e clipes (um disco de Blu-Ray tem capacidade de 50GB [camada dupla]) o cartaz foi impresso por impressão digital, sem revestimento. o lambe-lambe também foi feito com técnica de stencil, e o ingresso é apenas uma simulação de como ele seria feito pela organização, em papel de segurança.

fotos:

box-1
tcc2 - box 1

box-2
tcc2 - box 2
cartaz
tcc2 - cartaz

kit:box+saco de algodão+ingresso
tcc2 - kitbox

lambe-lambe
tcc2 - sacola/volume

volume entregue aos professores
tcc2 - sacola/volume

quando possível, posto o trabalho completo! espero que agrade aos fãs, designers e aos professores da banca!!!

obrigado a todos que colaboraram com o trabalho e o tornaram possível. obrigado aos membros da comunidade Muse Brasil, que no ano passado se prontificaram a responder um questionário sobre como percebiam a se lembravam da banda. design precisa desta interação com o público, senão o produto vira uma materialização do gosto do designer.

;)